Um ensaio clínico multicêntrico e randomizado avaliou os efeitos da lipoaspiração para lipedema em comparação com o tratamento conservador. Publicado em 5 de setembro de 2026 no periódico The Lancet, o estudo acompanhou mulheres com lipedema nos estágios I, II ou III e analisou principalmente a redução da dor nas pernas após 12 meses.
De acordo com o resumo disponível no PubMed, 410 participantes foram distribuídas entre um grupo submetido à cirurgia e outro que continuou com a abordagem conservadora. Os resultados indicaram maior redução da dor e melhora nos indicadores de qualidade de vida entre as pacientes operadas, mas também uma frequência superior de eventos adversos.
Cirurgia teve maior redução da dor
Entre as mulheres submetidas à lipoaspiração, 68% alcançaram uma redução de pelo menos dois pontos na escala de dor utilizada pelo estudo. No grupo que permaneceu em tratamento conservador, esse resultado foi observado em 8% das participantes. A diferença mostra um efeito mais expressivo da intervenção cirúrgica sobre o desfecho principal analisado pelos pesquisadores.
A avaliação também apontou melhora maior na qualidade de vida no grupo da lipoaspiração. Ainda assim, os dados não significam que a cirurgia seja indicada automaticamente para todas as pessoas com lipedema. A decisão depende de avaliação individual, das características clínicas da paciente, dos tratamentos já realizados e dos riscos associados ao procedimento.
Eventos adversos foram mais frequentes
A principal ressalva do ensaio está relacionada à segurança. Eventos adversos foram registrados em 47% das pacientes avaliadas no grupo submetido à lipoaspiração, enquanto a proporção foi de 21% entre as participantes do tratamento conservador. Quando considerados apenas os eventos classificados como graves, os índices foram de 8% e 3%, respectivamente.
Esses números reforçam que a possível redução da dor precisa ser analisada junto com os riscos do procedimento. A lipoaspiração terapêutica envolve uma intervenção cirúrgica e, como qualquer cirurgia, pode exigir cuidados específicos antes e depois da operação. O estudo oferece uma comparação direta entre as estratégias, mas não substitui a avaliação feita por profissionais habilitados.
O que o estudo avaliou na Alemanha
O trabalho foi realizado em 11 centros na Alemanha. Ao todo, 1.973 pessoas foram avaliadas quanto à elegibilidade, e 453 participantes foram inicialmente incluídas. Depois dessa etapa, 410 mulheres foram randomizadas para os grupos comparados no ensaio, permitindo uma análise estruturada entre a cirurgia e o tratamento conservador.
O lipedema é uma doença crônica do tecido adiposo subcutâneo, predominantemente observada em mulheres, e pode estar associado a dor e aumento desproporcional de volume em determinadas regiões do corpo. A terapia descongestiva complexa é considerada uma abordagem padrão, embora o alívio dos sintomas possa ser limitado para algumas pacientes.
Nesse contexto, a lipoaspiração aparece no estudo como uma alternativa terapêutica e reparadora, e não apenas como procedimento estético. A pesquisa amplia a discussão sobre o tratamento cirúrgico do lipedema ao medir resultados clínicos, como dor, qualidade de vida e eventos adversos, em comparação com uma conduta conservadora.
Acompanhamento de longo prazo continua
O acompanhamento previsto pelos pesquisadores se estende por 36 meses. Segundo o registro do estudo no ClinicalTrials.gov, essa etapa poderá contribuir para esclarecer se os benefícios observados após um ano permanecem ao longo do tempo e como se comporta a segurança tardia da cirurgia.
Enquanto os dados de longo prazo não estão disponíveis, os resultados devem ser interpretados com cautela. A pesquisa foi conduzida em centros alemães e não permite generalizar automaticamente os achados para todos os serviços, técnicas cirúrgicas ou perfis de pacientes. Para quem tem suspeita ou diagnóstico de lipedema, a indicação de tratamento deve ser discutida em consulta médica, considerando alternativas, expectativas e possíveis complicações.