Paulo Roberto Gomes Fernandes considera que o crescimento das obras subterrâneas revela uma mudança importante na forma como diferentes países planejam sua infraestrutura. Em vez de tratar túneis e galerias técnicas como soluções excepcionais, muitos mercados passaram a incorporá-los como resposta recorrente para desafios ligados a gasodutos, oleodutos, metrôs e sistemas urbanos de alta complexidade. Essa transformação decorre de uma combinação entre pressão territorial, exigências ambientais e necessidade de ampliar a capacidade operacional sem multiplicar interferências na superfície.
Atualmente, o subsolo passou a ser visto como um espaço estratégico para acomodar estruturas críticas em regiões densamente ocupadas ou ambientalmente sensíveis. Quando a superfície já apresenta limites para novas intervenções, a engenharia subterrânea ganha espaço por oferecer continuidade logística, maior proteção dos ativos e melhor adaptação a áreas onde obras abertas se tornam mais custosas ou mais difíceis de licenciar.
O que explica a expansão internacional desse mercado
Nos últimos anos, o mercado global de obras subterrâneas ganhou força com a aceleração de projetos em regiões como Ásia e Oriente Médio. A combinação entre crescimento urbano, necessidade de integração logística e expansão das redes energéticas fez com que túneis e travessias profundas passassem a ter papel central em muitos planos nacionais de infraestrutura. Não se trata apenas de mais obras, mas de uma lógica de investimento que passou a reconhecer o subsolo como parte permanente da solução.
Sob essa perspectiva, Paulo Roberto Gomes Fernandes aponta que esse avanço não depende somente de volume financeiro, mas de visão estratégica. Países que investem de forma contínua em infraestrutura subterrânea costumam responder melhor a barreiras geográficas, reduzir conflitos com áreas urbanas consolidadas e estruturar sistemas de transporte e energia com maior previsibilidade.
Por que energia e metrôs puxam a demanda por túneis
Uma parcela expressiva dessa expansão está ligada às necessidades de transporte de energia e mobilidade. Gasodutos e oleodutos precisam atravessar serras, faixas ambientalmente protegidas, áreas costeiras e territórios sensíveis sem ampliar riscos estruturais ou impor grandes intervenções na superfície. Da mesma forma, sistemas metroviários exigem soluções que permitam ampliar a circulação urbana sem competir diretamente com um espaço já saturado por vias, edificações e serviços.

Na avaliação de Paulo Roberto Gomes Fernandes, esses setores sustentam o crescimento do mercado porque reúnem escala, continuidade e alto grau de exigência técnica. Enquanto a energia demanda proteção de ativos lineares e segurança operacional em longas distâncias, os sistemas de mobilidade exigem túneis de grande precisão e elevada complexidade executiva.
Tecnologia, segurança e vantagens ambientais
O fortalecimento desse mercado também está ligado ao avanço das tecnologias de escavação, suporte estrutural e monitoramento geotécnico. Obras que antes seriam tratadas como excessivamente arriscadas ou economicamente difíceis passaram a se tornar mais viáveis com o uso de equipamentos especializados, modelagem digital e controle mais preciso das condições do terreno.
Conforme a leitura de Paulo Roberto Gomes Fernandes, o ganho não é apenas construtivo, mas também ambiental e operacional. Em encostas, áreas de preservação e corredores energéticos sensíveis, soluções subterrâneas podem reduzir supressões na superfície, limitar interferências sobre ecossistemas e oferecer maior proteção à infraestrutura instalada.
O contraste brasileiro diante desse cenário
Apesar do dinamismo internacional, o Brasil ainda aparece de forma tímida nesse mercado quando comparado ao tamanho de suas necessidades logísticas e energéticas. A diferença entre a demanda por infraestrutura e o ritmo dos investimentos ajuda a explicar por que o país avançou menos do que poderia em soluções subterrâneas voltadas ao transporte, à energia e à integração territorial. Ainda assim, a expansão da produção energética e a necessidade de reduzir gargalos estruturais indicam que esse debate tende a ganhar mais relevância.
Nesse sentido, Paulo Roberto Gomes Fernandes sugere que a principal lição do cenário global está na relação entre investimento consistente e competitividade de longo prazo. Países que tratam a infraestrutura subterrânea como eixo estratégico conseguem responder melhor a limitações geográficas, reduzir custos indiretos e ampliar a eficiência de seus sistemas. Para o Brasil, isso reforça a necessidade de incorporar o subsolo de forma mais clara ao planejamento de obras que serão decisivas para a logística e a segurança energética das próximas décadas.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez